Você provavelmente já ouviu falar em “Cinema Pipoca”. É um termo usado comumente para designar as mega-produções hollywoodianas, recheadas de puro entretenimento, muitos efeitos especiais, grandes aventuras e, na maior parte dos casos, uma boa dose de clichês. Este ano, aliás, tem sido um prato cheio para os amantes deste tipo de filmes, com a estreia de produções como a parte final da saga Harry Potter e as adaptações dos heróis dos quadrinhos Thor, Capitão América e Lanterna Verde, entre outras. Mas talvez aquele que tenha gerado mais expectativa, pelo menos para mim, foi Super 8. Desde as primeiras notícias, empolgava pelos nomes envolvidos, ninguém menos do que Steven Spielberg, o diretor que levou o cinema de entretenimento a um novo patamar, e J.J. Abrams, nome promissor na nova cena do entretenimento audiovisual, responsável, entre outras coisas, pelo seriado Lost. Pois bem, eis que fui assisti-lo há duas semanas (e fiquei devendo um texto sobre ele desde então rs…). Super 8, repleto tanto de referências à obra de Spielberg como de elementos que já estão se tornando característicos na obra de Abrams, conta com produção do primeiro e direção do segundo. O filme cumpre o prometido, diverte e emociona na medida certa. De cara, o que salta aos olhos é a trama envolvendo um grupo de crianças que, inadvertidamente, filma um incrível acidente de trem de onde surge algo misterioso, militares em missão secreta e estranhos acontecimentos na cidade. Mas, por trás disso tudo e dos efeitos especiais, há o drama de um garoto pré-adolescente e um pai tendo que aprender a viverem juntos após a morte da mãe. Além, é claro, de outros elementos comuns a essa idade, como as amizades e o primeiro amor. E talvez esteja aí seu grande mérito! Clichês e absurdos do roteiro à parte, é isso que nos conecta com a obra e faz com que nos identifiquemos com os personagens, torcer por eles e querer acompanhá-los até o final de sua jornada.

Há algum tempo, assisti a uma apresentação de J.J. Abrams no TED, evento já mundialmente famoso por trazer sempre novas idéias dentro dos campos Tecnologia, Entretenimento e Design. Em sua apresentação, Abrams falou um pouco sobre isso e o quanto o cinema realizado por Spielberg o inspirou, exatamente por trazer este tipo de carga emocional para suas obras, mesmo que o enredo, à primeira vista, fosse sobre um Tubarão assassino. E finalmente chegamos ao ponto que eu queria. Vejam, no mundo das apresentações, a coisa funciona, de certo modo, quase do mesmo jeito. Independentemente do assunto, sempre há uma história por trás dele. Seja o volume de vendas que deve saltar de um número para outro, exigindo envolvimento de toda a equipe, ou um produto que é a solução ideal para determinada questão. Enfim, por trás de tudo o que está sendo mostrado, há sempre uma ideia que você quer que as outras pessoas comprem. E isso só vai acontecer se elas estiverem envolvidas, se puderem se conectar com seu conteúdo e se identificar com ele. Aí você tem“apresentações pipoca”, que farão as pessoas que a assistiram se emocionar, comentar sobre ela, levar suas ideias e conceitos adiante. E essa, no final das contas, é a essência de toda boa apresentação, não?

Abaixo, o vídeo da apresentação de Abrams, bem como o trailer do filme.

 

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