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O que dizem as letras?

Luiz Grecov
@luizgrecov

Escrito por David Pacheco, designer gráfico e estratégico, ex-coordenador na La Gracia, antes de sair para conhecer o mundo. Recentemente descobri que era um tanto preconceituoso. Olhei para os trabalhos que desenvolvi e percebi que, até então, nunca havia utilizado fontes padrões do Windows. Talvez, ao ler isso, algumas pessoas devam afirmar: “Lógico, eu também […]

Escrito por David Pacheco, designer gráfico e estratégico, ex-coordenador na La Gracia, antes de sair para conhecer o mundo.

Recentemente descobri que era um tanto preconceituoso. Olhei para os trabalhos que desenvolvi e percebi que, até então, nunca havia utilizado fontes padrões do Windows. Talvez, ao ler isso, algumas pessoas devam afirmar: “Lógico, eu também não!” enquanto outros podem se perguntar: “Como assim fontes padrões do Windows, existem mais fontes que eu posso usar?”. Se você está no segundo grupo, uma breve explicação: fontes padrão do Windows são aquelas disponíveis “de fábrica”, ou seja, aquelas que já estão disponíveis para uso em qualquer software que permita edição de textos a partir do momento em que você começa a usar o seu computador.

Pois é, quando entrei para o mercado de apresentações me deparei com a limitação de, na maioria dos casos, ter que usar estas fontes. Para que possa entender um pouco melhor o porquê dela, irei explicar: Você precisa enviar uma apresentação PPT para o presidente da empresa. Vai pedir para que ele instale as lindas fontes que você utilizou (e ensinar como se faz isso em alguns dos casos) e correr o risco de algo dar errado? Não seria mais prático ele apenas abrir com a fonte correta? E se essa apresentação for usada por várias pessoas, todas terão que aprender e instalar as fontes em todos os computadores? No mercado de apresentação lidamos diretamente com o tempo, o conteúdo já é uma garimpagem, as imagens já estão tentando valer mais que mil palavras e na maioria dos casos, a última coisa que a diretora do RH que está na plateia quer saber é qual foi a fonte que você utilizou.

Mas e aí então, como que fica? A gente tem que usar Arial, Calibri ou Comic Sans? Nada disso meu bem, podemos reparar que apesar de não serem tão queridas, temos na manga um pacote um tanto quanto variado.32_O que dizem as letras_1
Agora é que chegou a hora considerada a mais difícil entre os designers, publicitários, advogados, médicos, administradores e qualquer ser humano que precisa escolher a fonte que será utilizada em sua apresentação.

32_O que dizem as letras_2
Para chegarmos a esta resposta, devemos nos perguntar algumas outras coisas antes como: Sobre o que eu vou falar? Para quem eu vou apresentar? Vale a pena usar uma fonte mais específica, ou será melhor manter a neutralidade pra não tirar o foco de minhas imagens? O que acontece muito é escolherem a fonte pelo gosto pessoal, mas eis que surge outra dúvida: Minha apresentação não deve ter a minha cara?

(  ) Sim, você é o palestrante;

(  ) Not, o público sempre tem a razão;

( X ) Ela tem que ter a cara da mensagem que você quer passar.

Na hora de escolher a fonte é preciso ter certa sensibilidade, é como escolher o elenco de um filme. Há vários atores que disputariam pelo mesmo papel, mas quando se é assertivo o casamento é perfeito. Você já imaginou quem poderia representar o Rambo, se não o Sylvester Stallone? Para ilustrar um pouco melhor esse elenco, vamos conhecer alguns dos personagens.32_O que dizem as letras_432_O que dizem as letras_3                                                                                                            imagens extraídas do Blog Letritas

E para quem ainda tem pouca experiência, o recomendado é escolher o personagem principal, e trabalhar com toda sua família na mesma apresentação. Família nada mais é do que as variações de uma mesma fonte como no exemplo abaixo.32_O que dizem as letras_5                                                                                                                         font family: Arial
 
Depois de ter definido a família, o ideal agora é padronizar as coisas. Em revistas, livros, jornais, você pode perceber facilmente que os títulos, subtítulos e textos corridos sempre seguem o mesmo padrão. É importante entender as regras para depois poder quebrá-las, ok? Então você pode começar usando as fontes bold/black para títulos e as lights/regular para textos corridos. Isso nada mais é do que trabalhar com contraste e, quanto mais experiente você vai ficando, mais composições você consegue formar. Daí que parte para o próximo nível que é contrastar com fontes diferentes.32_O que dizem as letras_6                                                                                                     respectivamente: Monotype Corsiva e Impact

Contraste é uma característica fundamental quando se trata de estética alinhada à funcionalidade. Imagine um slide onde todos os blocos de texto têm a mesma fonte, sem variações de qualquer natureza. Neste caso, o contraste ajudaria a criar diferenciação, ao mesmo tempo estabelecendo relações e criando hierarquias. O contraste é sempre uma grande ferramenta, principalmente no mercado de apresentações onde precisamos que as letras saltem em meio à projeção. Mas isso não é um atributo exclusivo nosso. Voltando para o exemplo do cinema, podemos ver que a Pixar já vem trabalhando com contrastes em seus personagens há um bom tempo.32_O que dizem as letras_7

 

 

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