fbpx

La Gracia Humaniza

conteúdo

Powerpoint, a batalha!

La Gracia Humaniza
@lagracia

A batalha contra o pobre PowerPoint parece não ter fim, chegando ao ponto de alguém resolver criar um Partido Anti-PowerPoint. As acusações contra o software, em geral, são as mesmas, culpando-o pelas apresentações ruins que lotam salas de reuniões e auditórios por aí, assim como os argumentos de defesa também sempre se baseiam na ideia de […]

A batalha contra o pobre PowerPoint parece não ter fim, chegando ao ponto de alguém resolver criar um Partido Anti-PowerPoint. As acusações contra o software, em geral, são as mesmas, culpando-o pelas apresentações ruins que lotam salas de reuniões e auditórios por aí, assim como os argumentos de defesa também sempre se baseiam na ideia de que a responsabilidade por elas é única e exclusivamente de seus realizadores.

Recentemente, o embate entre partidários de ambos os lados alcançou um dos mais respeitados jornais sobre negócios e economia do mundo, o Financial Times. Cerca de uma semana atrás, Lucy Kellaway, das principais colunistas da publicação, fez um chamado à guerra em seu texto “Anti-PowerPoint revolutionaries unite” (algo como “Revolucionários Anti-PowerPoint, uni-vos”). Ontem, seu colega, Tim Harford, atendeu ao apelo e saiu em defesa do software em sua coluna. O texto dele é interessante e equilibrado. Além de trazer alguns dos argumentos de sempre, também faz críticas a certas funcionalidades do PowerPoint.

Abaixo, segue uma tradução livre deste texto. Caso queira, o original pode ser acessado através da página do Financial Times (com a única exigência da criação de um cadastro simples) ou no site do autor.

Em defesa do caluniado Power Point

por Tim Harford

Estou prestes a fazer algo audacioso, que é discordar de Lucy Kellaway. Na semana passada, a observadora sem medo das loucuras dos negócios foi longe demais: ela fez um apelo para o PowerPoint ser banido.

O argumento da promotoria é simples: muitas apresentações em PowerPoint são muito ruins. Isso é verdade, mas dificilmente é caso para uma proibição. Ferramentas de manutenção podem produzir resultados terríveis nas mãos erradas, como qualquer pessoa que tenha me visto colocar prateleiras pode atestar. Proibir a chave de fenda não é a resposta.

Assim é com o PowerPoint. Ele é uma peça prática, nada romântica. É usado frequentemente mal. Não é a ferramenta mais elegante, mas os trabalhos fracassados devem ser atribuídos ao realizador. Muitas das apresentações ruins realizadas com a ajuda do PowerPoint teriam sido apresentações ruins em qualquer caso. Teria sido melhor ouvir as divagações improvisadas de um orador nervoso em colapso cognitivo total? Ou assistir a um trecho de um filme produzido profissionalmente, mas irrelevante, no escuro? Muitos leitores se lembrarão da vida corporativa antes do PowerPoint. Não era um paraíso perdido.

O PowerPoint não é o software mais maravilhoso do mundo. Os templates foram feios por muito tempo, os clip-arts são bregas e há animações risíveis. Como se determinado a cumprir o nome, ele insere bullet-points no texto com pouco apelo. É mais difícil do que deveria ser simplesmente alinhar todas as letras (Ainda estou usando o PowerPoint 2003)

No entanto, com todas as suas falhas, o PowerPoint executa duas tarefas úteis bem o suficiente. Ele rapidamente permite compor notas de fala e criar slides mostrando imagens e gráficos. O problema começa quando as pessoas confundem os dois empregos.

Não há nada de errado com anotar notas de fala como um auxiliar de memória. O PowerPoint é uma boa maneira de fazer isso como qualquer outra, especialmente se você tem uma caligrafia como a minha. Para a grande maioria dos oradores, tais notas de fala são preferíveis às alternativas, incluindo a memorização, improvisação no local ou escrever todo o discurso e lê-lo em um tom monótono.

O problema é que por alguma razão incompreensível, muitos oradores decidir projetar suas notas de fala em uma parede, em vez de imprimi-las, tamanho de cartão postal, e fixá-los em cartões de 3×5 polegadas. Costumo esboçar meus discursos com a ajuda do PowerPoint. Mas prefiro manter os slides para mim mesmo.

O segundo uso do PowerPoint é projetar recursos visuais em uma tela. Isso ele faz muito bem – e o clip-art clichê do passado está agora quase extinto. Hoje em dia, as pessoas ”emprestam” cartoons do Dilbert, ou pegam fotos da web. O efeito é muitas vezes agradável o suficiente.

Seria melhor se as pessoas aprendessem um pouco sobre fontes, e melhor ainda se aprendessem que, pressionando a tecla “B”, podem temporariamente deixar a tela em branco. Mas não se pode ter tudo.

Lucy, apoiando, menciona uma condenação famosa do PowerPoint pelo brilhante designer de informações Edward Tufte. Professor Tufte ataca o PowerPoint em parte por sua “incansável sequencialidade, um slide depois do outro” e, em parte, pela relação assimétrica entre orador e “seguidores”.

Isso é estranho porque Tufte não reconhece que o que ele está realmente atacando é a própria ideia de falar em público. O que poderia ser mais implacável do que um discurso sequencial? Uma maldita palavra na frente de outra. Se você odeia a própria ideia de um discurso, tudo bem. Mas diga isso.

Seria necessário muito pouco para melhorar a qualidade das apresentações em PowerPoint da maioria das pessoas – muito menos do que seria necessário para melhorar a qualidade do Newspeak corporativo. Então, por que fazer um apelo pela proibição?

O verdadeiro problema é muito mais preocupante. É que em um ambiente corporativo, somos convidados a ler textos de pessoas que não sabem escrever e assistir performances de pessoas sem o talento nem a formação de executá-las. Por alguma razão esses amadores são melhor remunerados do que a maioria dos escritores e artistas. Há algo deprimente sobre tudo isso, mas a culpa não pode ser fixada no PowerPoint.

Não posso terminar sem confrontar o maior pecado na minha versão do PowerPoint: a função ”Auto Conteúdo”, que esboça um discurso se você não pode fazer isso sozinho. Auto Conteúdo, reportou uma vez a revista The New Yorker, foi definido como uma brincadeira, ”farsa pura e simples de seus clientes-alvo”. A própria idéia da função é perniciosa, mas na verdade o verdadeiro horror é que ele foi criado para satisfazer uma demanda.

Felizmente, essa demanda parece ter se resolvido sozinha: a função ”Auto Conteúdo” foi descontinuada em 2007.

Humanize as
apresentações, as
relações e o aprendizado
na sua empresa.

Fale com a gente

Veja também

CEO DISTANTE E INTOCÁVEL? COMO HUMANIZAR A ORGANIZAÇÃO

Já passou da hora de repensar modelos e humanizar a organização. Cada vez mais, vemos publicações de colaboradores nas redes sociais expondo angústias que se transformaram em burnout, depressão, doenças mentais e até mesmo físicas. Ou denunciando o desalinhamento do discurso que o marketing vende lindamente para fora pras práticas aplicadas internamente pelas lideranças, pelo […]

Ler mais

POR UMA LIDERANÇA MAIS INCLUSIVA

Para falar sobre uma liderança mais inclusiva, começo o texto de hoje com uma pergunta: “Por que é tão difícil lidar com o que é diferente de nós?”  Não tenho pretensão de responder, afinal, essa é uma pergunta daquelas bem cabeludas, que exigiria reunir filósofos para uma discussão longa e calorosa, regada a vinho e […]

Ler mais

E quando você precisa de mais do que um tapa na apresentação?

“Dá um tapa na apresentação aí! É simples.” Se eu tivesse contado as vezes que ouvi certas frases nos últimos 13 anos, esse com certeza ganharia de todas. Nossa, quase todo mundo pede apresentação desse jeito. Mas só quem faz apresentação todos os dias sabe que não é tão simples assim. Uma apresentação boa de […]

Ler mais

Qual a diferença entre um slide bonito e um slide com design?

Muito além de criar um slide bonito, recentemente, no artigo “A La Gracia ainda faz apresentações?”, eu disse que a La Gracia nasceu criando conexão por meio de apresentações. E tudo o que a gente foi aprendendo, ao fazer apresentações para presidentes e executivos do corporativo, fomos levando para nossos cursos. E tudo o que […]

Ler mais

Qual a diferença entre promover experiência e expor conteúdo?

Promover experiência é a constante resposta, presente nos 12 anos em que venho experimetando as várias formas de ensinar. Cada vez mais, vou me tornando uma defensora das metodologias que colocam o aluno como centro do aprendizado. O contrário disso é o que o educador Paulo Freire chamava de Educação Bancária: aquele tipo de educação que coloca […]

Ler mais